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Derrubando as Muralhas das Forças Opostas
Josué 6.26 “E naquele tempo Josué os esconjurou, dizendo: Maldito diante do Senhor seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó: perdendo o seu primogênito a fundará, e sobre o seu filho mais novo lhe porá as portas”.
O povo de Israel chegou enfim ao penúltimo dia da campanha e à sexta volta. Durante os dias anteriores, nas cinco voltas efetuadas, constataram muitas dificuldades a serem vencidas. Penso na expectativa de todo o povo enquanto o momento crucial se aproxima, depois de já saberem de tantos desafios: a extensão das muralhas, a solidez da edificação, a largura, a altura e a resistência dos muros.
Neste momento, muitos já começaram a projetar outros desafios pela frente. Outros, por certo, levantam questões preocupantes: “E se as muralhas não caírem?”. Como olhariam para os moradores da cidade, que por certo ficavam em cima do muro zombando daquela multidão calada, rodeando por todos aqueles dias? Como seria a continuação da viagem se não vencessem aquele obstáculo tão desafiador? E o sonho da terra prometida? E todo o esforço empreendido ate àquela hora? Enfim, os temores alimentavam as dúvidas mais diversas.
Não raro o ser humano tende a formular perguntas partindo do pressuposto de que a derrota vai acontecer. A prudência recomenda analisar os dois pólos da situação, que são os prós e os contras. Mas a ousadia recomenda que os contras levantados sirvam de motivação para o arregimentar de forças que possam superá-los, enquanto os prós devem servir de motivação para nunca recuar.
Muitos projetam o resultado da derrota antes mesmo de começarem a peleja, sofrendo de forma antecipada diante das possíveis reações que as pessoas terão quando o fracasso se confirmar. Explica-se assim a razão porque muitos preferem nem entrar numa peleja. São pessoas que abraçam a falsa amiga chamada acomodação e chegam a dizer para si mesmos que é melhor não enfrentar o desafio do que correr o risco do fracasso.
Os que se acomodam acabam sendo relacionados no contingente dos covardes. A história de Gideão, registrada na Bíblia no livro dos Juizes, capitulo 6, versículos 11 a 40 e capitulo 7, versículos 1 a 25, relaciona acontecimentos que ilustram bem tal afirmação.
Acredito que nesse penúltimo dia da campanha muitos inimigos já poderiam ser vistos formando um verdadeiro exército de forças contrárias ao objetivo do povo de Deus. O medo de ter que enfrentar um possível fracasso, a dúvida sobre a estratégia de rodear os muros, e até mesmo o questionamento se tudo aquilo seria realmente algo de Deus ou uma loucura de Josué. A incredulidade surge quando se olha para as evidências: o silêncio de Deus por todos aqueles dias, enquanto o povo permanecia rodeando as muralhas, e ainda nenhum vestígio de que as muralhas pelo menos estavam se enfraquecendo. Por certo os incrédulos já começavam a tremer, mentalizando o ambiente de zombaria que enfrentariam diante dos habitantes de Jericó.
De um lado existiam as muitas forças opostas e a consciência de que a guerra estava instalada, mas, por outro lado, não havia mais como recuar e a ordem era ir até o fim. Diante de tudo isso, creio que no coração do povo existia a convicção de que, apesar de alguns momentos de dúvidas, Deus poderia num instante operar o milagre necessário para que a vitória acontecesse.
Toda campanha é um desafio e uma fonte de bênçãos na vida do participante. Começar e ir até o fim já é uma vitória, porque Deus derrama da sua glória de maneira abundante e as mais diferentes e maravilhosas bênçãos vão sendo operadas na vida de todos. Receber o milagre, o que pode acontecer da maneira esperada ou diferente, pode tornar-se um marco de grande significado, uma experiência jamais esquecida. Muitas vezes o milagre acontece de forma ainda mais grandiosa do que esperado. Outras vezes Deus, em sua sabedoria, nos fortalece misteriosamente através da espera do tempo adequado e ficamos pensando que não recebemos o milagre, enquanto na verdade recebemos mais do que pedimos e apenas não tivemos o discernimento para ler a experiência da forma correta. É necessário concentrar esforços para que tal objetivo seja alcançado. Caso o milagre não aconteça de acordo com o almejado, podemos somar a experiência obtida por dedicar dias de nossas vidas pensando com mais intensidade em Deus e buscando suas promessas. Não há perda de tempo em se dedicar a Deus, buscando o fortalecimento da fé, a cura dos medos e da incredulidade, a vitória contra a ansiedade e uma maior compreensão da Palavra de Deus. O milagre que devemos buscar com mais intensidade é a nossa comunhão com Deus e a convicção viva de que ele cumprirá todas as suas promessas.
Deus, a cada dia, nos surpreende. Ele tem sempre algo novo para nos outorgar, para que a nossa experiência com ele seja sempre salutar. O enfrentamento de todo o desafio daquelas muralhas construiu na mente do povo uma consciência muito mais forte. Em uma marcha em que todo o povo estava unido, um relacionamento de fé estava sendo construído com materiais sólidos. Entre eles não havia necessidade de nenhuma espécie de competição, não precisavam passar na frente um do outro, porquanto era exigido que apenas rodeassem as muralhas, tarefa na qual todos se igualavam, cada um desempenhando a sua própria função em prol de um objetivo comum. A cada volta, apesar de constatadas as dificuldades, as expectativas iam se fortalecendo nos corações. A vontade de ver o milagre aumentava e todos marchavam sob o comando de Josué, seguindo tudo o que havia sido planejado com antecedência.
A obediência à ordem divina é o segredo da vitória, mesmo que essa ordem tenha sido repassada por uma pessoa humana. No caso do povo hebreu, esse ser humano usado como instrumento de Deus era Josué, que ocupara o lugar deixado por Moisés.
Ao fazer uma campanha, não devemos mudar a estrutura que foi proposta, mas segui-la do inicio ao fim. A obediência à inspiração divina da campanha tal como proposta pelo instrumento de Deus tem todo um objetivo que Deus honra e abençoa.
Conta-se que certa vez um pastor, calmamente, tentou dissuadir um membro da sua igreja que o procurou dizendo que estava indo embora e deixando a esposa e filhos, para nunca mais voltar. Ele estava realmente decidido, deixaria tudo para trás e partiria para um mundo desconhecido, onde esperava ficar livre das zoeiras da sua casa e das constantes reclamações que todos os dias importunavam os seus ouvidos.
Diante do quadro complicado daquela situação, o pastor propôs um acordo. A proposta era de que o irmão realmente tomasse a atitude que já estava planejada, mas que antes esperasse por três semanas. No final delas, se nada tivesse mudado, ele teria o seu apoio para sumir no mundo. O irmão, que sempre havia ouvido os conselhos do pastor, disse que estava disposto a esperar pelas três semanas simplesmente porque o pastor estava pedindo, mas acreditava que seria perda de tempo, já que a situação havia atingido um clímax de complicações. O pastor então, sabiamente, agradeceu pela concordância do irmão e disse que gostaria de poder ajudá-lo, acompanhando-o mais de perto naquelas três semanas que se seguiriam.
O pastor, diante da disposição do irmão em ser ajudado, disse que ele deveria arrumar um cabrito emprestado com alguém da região e levá-lo para casa. Durante toda a semana deveriam conviver, tanto ele como a família, com aquele cabrito dentro de casa. Uma exigência foi bastante enfatizada pelo pastor: não deveriam tirar o cabrito para fora da casa por motivo algum. O irmão foi pra casa pensando naquela proposta e achou que, apesar de não compreender bem os motivos do pastor, não custaria atender àquela recomendação. Conseguiu o cabrito e levou-o para casa, explicando a exigência para a família. Durante a primeira semana foi muito difícil tanto para ele como para a família, conviver com o animal dentro de casa. O cabrito berrava o tempo todo, subia nas camas e sujava a casa por todos os cantos. Foi uma semana terrível. No final da semana, como estava combinado, o irmão foi ao pastor e disse que havia feito tudo que ele pediu. O pastor, então, pediu que ele conseguisse um porco e o levasse para dentro de casa, convivendo com o animal durante a próxima semana. Ele reclamou, achou tudo isso um grande absurdo, mas terminou se deixando convencer pelo pastor. Ao final da conversa, quando já saía para procurar o porco, lembrou-se de perguntar ao pastor o que fazer com o cabrito. O pastor, calmamente, respondeu: “Meu irmão, deixe o porco junto com o cabrito ao longo da próxima semana e, ao final, volte a falar comigo”.
Se a primeira semana havia sido difícil, imagine a segunda, com um cabrito e um porco o tempo todo dentro de casa fazendo barulho e sujando tudo que encontravam pela frente. Enfim a longa semana terminou, e o irmão voltou a procurar o pastor. A essa altura, o seu estado era deplorável. Roupas sujas, corpo mal cheiroso, cabelos despenteados, olhos fundos, rosto pálido, enfim, um estado desesperador. Por fim o pastor observou o seu estado e disse com toda a sua serenidade pastoral: “Meu irmão, devolva tanto o cabrito como o porco aos seus donos, faça uma faxina completa na sua casa, e ao final da próxima semana te farei uma visita”.
A terceira semana enfim chegou ao final e o pastor foi à casa do irmão, bateu à porta e este o recebeu com um sorriso aberto, demonstrando muita satisfação com a vida. O pastor então perguntou ao irmão como estavam as coisas por ali. O homem, mais do que de imediato, respondeu que estava vivendo um verdadeiro céu. Havia descoberto que sua esposa era a melhor pessoa do mundo. Os filhos também eram os melhores do mundo. Ao final de tão agradáveis declarações, o irmão concluiu que depois de tirar o cabrito e o porco de dentro de casa, ele havia entendido que era feliz e não sabia.
O pastor orou com a família e foi embora, e daquela casa a harmonia nunca mais saiu.
Tem muita gente precisando conviver alguns dias na companhia de um cabrito e um porco em casa, para deixar de reclamar tanto da vida.
O segredo para ser abençoado por Deus é seguir as orientações bíblicas com muita fé e obediência a tudo o que está escrito na Palavra de Deus, sem questionamentos ou adaptações. Ao fazer uma campanha é bom mergulhar com muita disposição em tudo que é proposto, observando toda a estrutura proposta e esperando com paciência na ação poderosa de Deus, jamais esquecendo do que está escrito em Lucas 21.19: “Na vossa paciência possuí as vossas almas”; ou, na tradução NVI (Nova Versão Internacional): “É perseverando que vocês obterão a vida”.
Olhando a imponência das muralhas, parecia impossível alcançar aquela vitória tão necessária. Os mais pessimistas por certo estavam em desespero, pois o fim da campanha se aproximava e nenhum sinal de Deus era visto para a concretização do milagre que buscavam. O solo em volta das muralhas já estava todo pisoteado e a vegetação já estava toda morta. Milhares de pessoas pisando durante seis dias aquele lugar era o suficiente para modificar até mesmo parte da paisagem ao redor dos muros. Aquele solo pisoteado registrava as marcas da fé de um povo guerreiro, combativo e obediente às propostas divinas para alcançar as vitórias necessárias em cada etapa da caminhada.
O povo de Deus precisa aprender e nunca esquecer que por onde passa deve deixar suas marcas, influenciando de forma cristã e contagiando a todos que encontrarem no caminho. Na cidade de Antioquia os discípulos de Jesus Cristo foram, pela primeira vez, chamados de cristãos. Por que tal definição surgiu? Foi o resultado da observação do povo da cidade que durante um ano havia recebido o ensino transmitido pelos discípulos. É importante ressaltar, todavia, que além de ensinar os discípulos viviam aquilo que pregavam. As marcas da presença deles eram visíveis na cidade e influenciavam a muitos, a ponto de começar a serem vistos como seguidores da vida de Cristo e de sua maneira de ser. Era como se Cristo continuasse entre eles. (Atos 11.26).
Muitos que dizem ser cristãos ainda não assimilaram o estilo de vida de um cristão e nem tampouco estão debaixo dos princípios norteadores da vida estabelecida por Cristo em Sua palavra, a Bíblia Sagrada. Consideram-se cristãos porque nasceram num país que se diz cristão ou porque os seus pais esboçam uma fé em Cristo. Nos últimos tempos vemos até mesmo pessoas que se apresentam como cristãos simplesmente por verem beleza e algum status em serem rotulados como tal, mas que não têm um comprometimento verdadeiro com os ensinamentos de Jesus. Os verdadeiros cristãos são aqueles que procuram viver, pela graça de Deus, como imitadores de Cristo.
Conta-se que uma família cujos membros se diziam cristãos, escreveu no muro da casa onde residiam uma frase com os seguintes dizeres: “ESTA CASA PERTENCE AO SENHOR JESUS”. Acontece, porém, que aos ocupantes da casa levavam uma vida muito conturbada, com muitos atritos e sérias discussões. O comportamento deles não espelhava o título de cristãos que ostentavam. Era comum vê-los brigando, gritando palavrões, e muitas vezes até agredindo fisicamente uns aos outros. Um dia, um dos vizinhos, já cansado de ver tanta desavença dentro daquela casa, esperou até que todos dormissem e, de posse de um pouco de tinta e um pincel, dirigiu-se até o muro daquela casa. À frente da frase “Esta casa pertence ao Senhor Jesus”, o vizinho colocou uma vírgula e escreveu em seguida: “MAS ESTÁ ALUGADA PARA O DIABO”.
É hora, mais do que nunca, do povo de Deus tomar consciência da influência que pode exercer no mundo, usando toda a autoridade concedida por Deus para ajudar outras pessoas a vencerem suas dificuldades e barreiras, encaminhando vidas a novos propósitos onde desfrutarão de tudo o que Deus opera e realiza.
Nas voltas em torno das muralhas de Jericó, estavam posicionados à frente do povo os sacerdotes e os valentes armados. Essa foi uma estratégia correta, pois aqueles que conhecem mais de perto o poder de Deus precisam abrir caminho para que outras pessoas sejam atraídas a buscar novas e importantes experiências com Deus.
A sede de Deus no coração humano é algo muito forte. Cada pessoa, sentindo o latejar da alma, procura atender aos seus suspiros interiores procurando por algo mais forte do que eles mesmos. Como existem milhares de filosofias, religiões e teorias de vida oferecidas por todos os cantos, acabam se embrenhando no emaranhado de ofertas existentes. Desta forma, muitos não conseguem chegar ao caminho que conduz a Deus, permanecendo nos labirintos das propostas e nunca encontrando a luz da vitória. Há caminho que parece certo ao homem, mas no final conduz à morte (Provérbios 14.12).
Quando eu tinha por volta de dez anos de idade, morávamos em uma fazenda próxima à cidade de Goiás, chamada “Fazenda Lajinha”. Foram bons tempos vividos naquele lugar. Era uma vida simples, mas ali eu e meus três irmãos aprendemos muitas coisas da vida. Inclusive foi ali que aprendemos a ler e a escrever, e eu nunca me esqueço da Dona Elza e da prima Maria, que foram as primeiras professoras que tive.
Eu e meus irmãos aprendemos vários ofícios na fazenda, tal como fazer o roçado, plantar roça, a derrubada, a queimada, o plantio, a manutenção e a colheita. Tudo era muito rudimentar, totalmente artesanal. Também cuidávamos do gado diariamente, apartando os bezerros das vacas para no outro dia tirar o leite (o que é chamado de ordenha). Quando acontecia a colheita, nós mesmos cuidávamos do transporte do cereal por meio do carro de bois, que cantava bonito pelas estradas da fazenda. Tínhamos também os momentos de brincar (hoje chamado de lazer). Fazíamos carrinhos de brinquedos, e dos sabugos do milho fazíamos os bois. Assim passávamos horas envolvidos com essas e muitas outras brincadeiras que conseguíamos improvisar em meio à simplicidade do lugar.
Tudo continua bem vivo em minha mente até hoje. Foram dias memoráveis.
Não poderia deixar de dizer que fazíamos algumas travessuras também. Afinal de contas, éramos meninos e agíamos como tal, apesar das responsabilidades que tínhamos e que procurávamos executar como gente grande.
Não muito distante da casa onde morávamos havia uma gruta. Eu e meus irmãos decidimos fazer ali uma pequena ponte de brinquedo. Naqueles dias, havia sido aberta uma estrada que cortava as nossas terras, ligando a cidade de Goiás à cidade de Itapirapuã. Com a chegada da estrada tiveram que construir uma ponte no rio que passava próximo à nossa casa. Nós, meninos, nos dispomos a fazer uma pequena ponte imitando a verdadeira.
Cortamos a madeira, fizemos as escavações dos dois lados da gruta, e depois de alguns dias brincando de trabalhar, a ponte ficou pronta e muito bonita. Passávamos de um lado para o outro, orgulhosos por ver a obra de arte que havíamos feito. Olhando de longe, parecia até uma ponte verdadeira.
Dias depois, notamos a falta de um dos cavalos no pasto. Saímos cada um para um lado diferente à procura do cavalo sumido. Depois de percorrermos quase toda a fazenda, ao passar pela gruta, vimos a ponte caída e, para a nossa tristeza, lá estava o cavalo caído no fundo da gruta, morto.
A ponte parecia verdadeira, parecia um bom caminho. O cavalo acreditou e o fim, infelizmente, foi a morte.
Na caminhada da vida cristã nos deparamos com muitas situações inusitadas, mas o nosso papel é sempre o de encaminhar as pessoas a Cristo, para que elas sigam o caminho da esperança e nessa trilha os milagres aconteçam a cada dia. Jesus Cristo é a única ponte entre o homem e Deus. Qualquer outra ponte a não ser Jesus, mesmo que pareça verdadeira, leva à morte.
Extraído do livro Trilha dos Milagres – Pr. Gentil R. Oliveira - (Pág. 85/93)
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